Assistência humanitária aos deslocados de guerra de Cabo Delgado

Por: Helena, Caritas Diocesana

ASSISTÊNCIA HUMANITÁRIA AOS DESLOCADOS DE GUERRA DE CABO DELGADO

A emergência em curso tem a sua origem no recrudescimento da violência na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, que está forçando milhares de pessoas a fugir os ataques dos grupos armados que se identificam como islâmicos, para salvar as suas vidas.

Desde o início do ano, houve 29 ataques na região e atualmente eles se expandiram para 9 dos 16 distritos que compõem a província de Cabo Delgado, uma das regiões menos desenvolvidas de Moçambique.

Grupos armados atacam aldeias aleatoriamente e aterrorizaram a população. Aqueles que conseguiram fugir testemunham assassinatos, mutilações e torturas, queima de casas, plantações e empresas. Existem também informações sobre decapitações, sequestros e desaparecimentos de mulheres, meninos e meninas. Instituições governamentais também foram alvo de ataques.

A população civil fugiu em várias direções, deixando tudo. Algumas dessas pessoas, dormem ao ar livre e têm acesso muito limitado à água limpa e potável. Muitas das pessoas deslocadas estão em condições muito precárias.

A maioria das pessoas que se deslocaram na nossa Diocese buscaram refúgio com familiares ou amigos, aumentando assim a pressão económica nessas famílias que jà tem escassos recursos.

Essas pessoas deslocadas incluem muitos sobreviventes de violência e violações de direitos humanos que precisam urgentemente de comida, proteção e apoio psicossociais.

 

No mês de Junho de 2020 os deslocados começaram uma migração mais longínqua chegando também no território da Província de Nampula, onde situa a nossa Diocese, sobretudo nos Distritos situados ao longo da estrada principal que colega o Norte com a cidade de Nampula (Erati, Nacaroa, Monapo, até as próprias cidades de Nacala e Nampula), a maior parte contando no apoio de familiares ou conhecidos que aí moram.

Enquanto os ataques não cessam, a crise humanitária continua a ganhar terreno e o número das pessoas deslocadas cresce diariamente. Produtos alimentares e de higiene são as principais carências materiais, mas a extrema vulnerabilidade precisa também de proteção da violência e abusos.

Nessa situação a Caritas Diocesana de Nacala alertada logo por parte dos párocos dos distritos abrangidos pelo fenómeno, em coordenação com as outras comissões sociais da Diocese (Justiça e Paz e CEMIRDE), disponibilizou de imediato um pequeno apoio em comida às famílias, graças às ofertas generosas de muitos amigos de perto e de longe.

No entanto foi elaborado um projeto de emergência mais estruturado, contando no apoio das diferentes competências presentes na Diocese, financiado pela CAFOD. O mesmo prevê, começando no mês de Julho, distribuição de comida, material de higiene, bens de primeira necessidade (redes mosquiteiras, panelas, mantas…) e a criação de  “Espaços amigos das Crianças” para proteger as crianças que em situação de vulnerabilidade são mais expostas a fenômenos de tráfico humano e prostituição.

Que Deus proteja estes nossos irmãos e o nosso trabalho, para que possa ser sinal da Sua Providência para com eles!